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Ex-ministros do ex-presidente paraguaio Mario Abdo Benítez (2018-2023) disseram nesta quarta-feira que a gestão do atual presidente, Santiago Peña, que assumiu o cargo em agosto de 2023, ignorou seus avisos sobre ataques e infiltração de sistemas governamentais, depois que se soube que o país foi alvo de uma operação de espionagem organizada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em 2022. O ex-chefe do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (Mitic), Fernando Saguier, disse à “Radio Monumental” que em 14 de agosto de 2023, um dia antes da posse de Peña, seu antecessor emitiu um decreto alertando sobre os possíveis riscos de segurança cibernética para as instituições públicas. “Não é verdade que não fornecemos informações. No meu caso específico, conversei com Gustavo Villate (atual ministro do Mitic)”, defendeu-se Saguier, acrescentando que aparentemente “houve uma total falta de conhecimento do que o decreto implicava e como estava sustentado”.
Para o ex-ministro, “eles ignoraram diretamente” sua advertência. Saguier esclareceu que, durante o governo anterior, não haviam recebido “nenhum relatório de nenhuma das instituições ou de nenhum funcionário sobre qualquer situação irregular ou curiosa no gerenciamento de suas contas digitais” relacionada a ataques ou espionagem do Brasil. No entanto, ele admitiu que foram detectadas “atividades de grupos da China que estavam se infiltrando nos sistemas do Estado paraguaio”. Saguier também revelou que conversou com Villate antes e depois da transição e assegurou que ele compartilhou as informações “que apoiaram e deram origem a esse decreto”.
Em 18 de agosto de 2023, Villate, recém-nomeado ministro, disse à “Radio Monumental” que eles estavam “atentos e revisando” a origem das informações do decreto e que ele não sabia os motivos por trás da decisão de Abdo Benítez. Consultado nesta quarta-feira, o ex-chefe da Secretaria Nacional de Inteligência (SNI) Esteban Aquino disse à mesma estação de rádio que, antes de emitir o decreto, foram recebidos avisos sobre ataques cibernéticos de uma “agência e país sérios”.
“Recebemos um documento de uma agência estrangeira com a qual temos uma aliança, de uma agência amiga. Não vou dizer qual agência porque não tenho permissão para isso”, argumentou Aquino, que disse que em 17 de agosto de 2023 houve uma reunião sobre o assunto com a equipe do atual ministro da SNI, Marco Alcaraz. Na segunda-feira passada, o portal “UOL” revelou que a Abin montou uma operação de espionagem dirigida a autoridades paraguaias com o objetivo de obter informações sobre as negociações da tarifa de energia elétrica da usina hidrelétrica de Itaipu, compartilhada pelos dois países.
O governo brasileiro reconheceu que a operação foi montada durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), mas que foi encerrada em 27 de março de 2023. Em resposta, o Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção, a quem apresentou um pedido de relatório sobre as operações de inteligência, e suspendeu as negociações com o país vizinho sobre o Anexo C de Itaipu.
*Com informações da EFE
Publicado por Fernando Dias
Fonte: Noticias ao Minuto Read More