O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou a nomeação do delegado Osvaldo Nico Gonçalves como novo secretário estadual de Segurança Pública. Atual número 2 da pasta, Nico substitui Guilherme Derrite (PP), que deixa o cargo na próxima segunda-feira, 1º, para retomar o mandato de deputado federal e avançar em articulações políticas de olho no Senado. O governo paulista, em nota, destacou que Nico ficará responsável por dar continuidade às políticas de combate ao crime organizado e de valorização das forças policiais.
A decisão de Tarcísio encerra uma disputa interna pela sucessão na SSP. Antes do anúncio, o nome mais cotado era o do secretário de Administração Penitenciária, coronel da reserva Marcello Streifinger, considerado um perfil mais discreto e técnico dentro do Palácio dos Bandeirantes. Apesar disso, policiais civis pressionavam pela escolha de Nico, que já integrava a cúpula da pasta — movimento decisivo para sua indicação.
Streifinger, que comanda desde 2023 o maior sistema prisional estadual do país, era visto por aliados do governador como um quadro ponderado, ligado à ressocialização de presos e capaz de evitar crises públicas. A disputa refletia não apenas perfis distintos, mas também diferentes leituras políticas para um ano pré-eleitoral em que a segurança tende a dominar o debate.
Com mais de 40 anos de carreira na Polícia Civil, Osvaldo Nico Gonçalves ocupou postos estratégicos: chefiou a Delegacia Antissequestro, comandou o Deic, o Garra, o GOE — que ajudou a fundar — e atuou em casos de grande repercussão, como o sequestro de Patrícia Abravanel, a prisão de Fabrício Queiroz e a captura do guerrilheiro chileno Maurício Hernandez Norambuena, envolvido no sequestro de Washington Olivetto. O delegado também mantém forte trânsito nas corporações Civil e Militar, que reúnem mais de 120 mil profissionais, fator que pesou na decisão do governo.
Derrite deixa o cargo mirando 2026
A saída de Guilherme Derrite será oficializada na segunda-feira, durante a comemoração do aniversário do 1.º Batalhão de Choque (Rota). Pré-candidato ao Senado, ele optou por antecipar sua saída para retomar debates legislativos relacionados à segurança pública. Aliados afirmam que Tarcísio apoiou a decisão.
Derrite deixa a pasta após quase dois anos e com a meta de consolidar indicadores criminais positivos enquanto tenta evitar desgastes ligados a episódios de letalidade policial. A cerimônia de sua despedida terá presenças de peso, como o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).