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04/10/2026
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, afirmou, em entrevista coletiva neste domingo (4), que não há indícios concretos de interferência estrangeira no processo eleitoral.
Nunes Marques disse que as equipes do tribunal responsáveis pelo monitoramento de riscos internacionais não identificaram esse tipo de interferência. Segundo o ministro, também não havia, até aquele momento, relatório da Polícia Federal, da Abin ou de outros setores que trabalham em parceria com o tribunal apontando risco relacionado ao tema.
“Até o momento, não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”, afirmou.
Urnas substituídas
Nunes Marques também informou que 1.121 urnas eletrônicas haviam sido substituídas durante a votação, o que corresponde a 0,2% do total. Segundo ele, não houve votação manual no país.
Oscilações no fornecimento de energia estiveram entre as principais causas das substituições. O TSE informou que no Paraná, onde houve problemas no fornecimento de energia após fortes chuvas e ventos, geradores e baterias foram suficientes para concluir a votação e a transmissão dos dados.
O ministro disse que a troca das urnas não compromete a votação. De acordo com ele, quando uma urna apresenta problema, a votação continua em outro equipamento e os votos registrados são apurados da mesma forma que os inseridos na urna substituta.
“Não tivemos nenhum problema significativo em relação às informações”, destacou.
Desinformação
Sobre a circulação de conteúdos falsos, o presidente do TSE afirmou que a maior parte das informações identificadas ao longo do dia já era conhecida, mapeada e monitorada pelo tribunal.
Desde 16 de agosto, segundo os dados apresentados pelo ministro, haviam sido registradas cerca de 2.800 ocorrências relacionadas à desinformação. Até as 13h daquele domingo, havia 453 apontamentos.
“A maioria dos conteúdos que circulam ou que circularam no dia de hoje já são conteúdos conhecidos, mapeados e identificados. Praticamente não tivemos conteúdos novos e conteúdos graves que pudessem trazer qualquer desequilíbrio ao pleito”, disse o presidente do TSE.
Crime eleitoral
O ministro informou ainda que, segundo balanço parcial, 59 pessoas haviam sido conduzidas por suspeita de prática de crime eleitoral, sendo 25 em situação de flagrante.
“Mais de R$ 380.000 em espécie foram apreendidos hoje e somam em espécie mais de R$ 30 milhões de janeiro para cá”, informou Nunes Marques.
Sobre o deslocamento dos eleitores, Nunes Marques afirmou que o trabalho preventivo realizado pela Justiça Eleitoral havia evitado problemas maiores, especialmente nas regiões Norte e Sul. Afirmou ainda que não houve situações de inundação ou alagamento que impedissem ou dificultassem o deslocamento dos eleitores.
Eventual judicialização
Questionado sobre a possibilidade de candidatos contestarem o resultado das eleições, o presidente do TSE afirmou que há uma tradição de judicialização no país e que seria de se esperar que candidatos a diferentes cargos recorressem à Justiça para apresentar questionamentos.
Ele citou, como exemplos, processos relacionados ao abuso de poder político e econômico. Nunes Marques, porém, diferenciou eventuais questionamentos sobre o resultado eleitoral de dúvidas quanto ao sistema eletrônico de votação e à condução das eleições.
Segundo o ministro, o trabalho do TSE contou com a participação de órgãos governamentais e da sociedade civil no acompanhamento do processo eleitoral. Ele afirmou que, até aquele momento, o sistema eletrônico de votação e a condução da eleição funcionavam com normalidade e transparência.
Sobre uma eventual tensão entre o TSE e o Supremo Tribunal Federal em caso de judicialização, Nunes Marques afirmou preferir não comentar e disse que, caso haja judicialização, os magistrados não devem fazer comentários sobre os processos.
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